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Nova técnica cirúrgica inédita no Brasil recupera a audição de pacientes

Quatro pacientes foram submetidos à cirurgia de implante de prótese auditiva ancorada no osso no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto; o procedimento é coberto pelo SUS




Uma técnica cirúrgica revolucionária, que já beneficia deficientes auditivos de 25 países, foi realizada pela primeira vez no Brasil, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP/SP. O procedimento, denominado “Ponto Ancorado no Osso”, consiste em um implante de titânio fixado na calota craniana, atrás da orelha. Com uma pequena e única incisão, permite uma recuperação mais rápida no pós-operatório. Quatro pacientes foram submetidos à cirurgia, realizada pelo médico otorrinolaringologista Prof. Dr. Miguel Hyppólito.


"A técnica, minimamente invasiva, é inédita no Brasil e em toda a América Latina. Em até 15 minutos é possível colocar o implante auditivo. A cirurgia é feita em regime ambulatorial, onde o paciente é apenas sedado e tem a possibilidade de ir para casa no mesmo dia. Isso minimiza todos os riscos potenciais de um procedimento cirúrgico e permite ao paciente uma recuperação rápida, podendo usufruir dos benefícios da prótese implantada em duas semanas", afirmou o Dr. Hyppólito.


Os sistemas auditivos de condução óssea podem ser implantados em pessoas com perda auditiva decorrente de problemas na orelha externa e media ou surdez unilateral; e até mesmo crianças podem ser beneficiadas. O dispositivo foi desenvolvido para transmitir o som por condução óssea, em substituição à condução aérea presente nas pessoas com audição normal. O processador de som capta as ondas sonoras de maneira semelhante aos aparelhos auditivos convencionais, mas ao invés dessas ondas sonoras serem enviadas através do canal auditivo, elas são transformadas em vibrações e transmitidas diretamente para o ouvido interno. "As indicações são especificas para pacientes que tem perda auditiva e não se beneficiam do uso de aparelho auditivo. Com esse procedimento o paciente pode melhorar muito sua audição chegando, em alguns casos, próximo à normalidade", explicou o médico.


Um dos pacientes submetidos à cirurgia, no último dia 30, é Fabio José da Silva Brito, de 33 anos. Ele nasceu com perda auditiva do lado esquerdo e com o canal auditivo dos dois ouvidos fechados. Já havia feito três cirurgias de reconstrução, sem sucesso. Por causa da deficiência, só conseguiu estudar até a 1ª série do Ensino Fundamental. “Eu tentava estudar mas não entendia o que a professora falava e tinha muita vergonha. Estou muito feliz porque agora vou poder realizar meu sonho de voltar a estudar. Essa é a minha maior expectativa”, revelou. O “Ponto Ancorado no Osso”, sistema auditivo de condução óssea desenvolvido pela Oticon Medical, é composto por três partes: um implante de titânio de 3 ou 4 milímetros; um pilar (abutment), que fica junto à pele; e um processador de som, que se conecta ao abutment por um encaixe simples, podendo ser removido sempre que houver necessidade, como para dormir ou tomar banho, por exemplo. E o que é melhor, com alta qualidade de som. “Mesmo antes da cirurgia, fiz o teste com esse novo sistema e é transformador! A diferença entre o que eu ouvia e o que comecei a ouvir é absurda. Você passa a ouvir coisas que nem imaginava que existiam, como o chiado do ar-condicionado, o motor da geladeira. É fantástico!”, contou a advogada Andrea Cristina Zaninelo, de 34 anos. Aos 22 anos, ela teve uma doença respiratória que afetou a sua audição. Ao longo dos anos seguintes, fez diversas cirurgias para tentar abrir o tímpano e chegou a usar aparelho auditivo, mas de nada adiantou. Sua maior dificuldade é no ambiente de trabalho, pois ela não consegue distinguir de onde vem os sons da fala dos colegas. “As pessoas acham que você não está dando atenção a elas, mas na verdade você não entende o que elas falam. Isso me deixa muito tensa e acabou me isolando do convívio social”, comentou.

Outro caso emocionante é o de Kátia Aparecida Rosa, de 43 anos, que é casada e tem dois filhos. Sua mãe teve toxoplasmose durante a gestação e, por isso, ela nasceu sem as duas orelhas e com a audição comprometida. Já fez várias cirurgias para reconstruÇão das orelhas, sem sucesso, e nunca pôde usar aparelhos. Ouve apenas do ouvido direito. Agora, sonha em conseguir um emprego e ser uma pessoa menos tímida e mais alegre. “As pessoas falam e eu não escuto, então para não pedir que elas repitam, eu acabo me isolando. Com a cirurgia vou poder ouvir bem e fazer amizades, conversar mais, ser mais alegre e menos tímida. Espero muito arrumar um trabalho”.

A cirurgia para implante de prótese auditiva ancorada no osso é gratuita, coberta pelo SUS. Hoje essa técnica está disponível em cerca 20 hospitais previamente selecionados para realizá-la.


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