Ponte do Rio Claro

Já faz alguns dias que não passo pela ponte do Rio Claro, em Jataí, mas lembro-me que todos os anos, nesse período de estiagem, a água reduzia quase a zero. Anos atrás, passava muito por lá e sempre comentava que o rio estava secando, uma vez que a água era pouquíssima e quase só se via pedra. Agora, deve estar pior.

Quando eu morava na Fazenda Lageado, de meu pai, na década de 50, recordo que, quando a gente vinha para a cidade, entre outubro e março, a passagem pela ponte que era de madeira coberta de terra, era muito difícil, pois o rio enchia muito e passava por cima da ponte.

Se viéssemos a cavalo, havia o receio de sermos carregados pela correnteza da água. Mas, devagar e com muito cuidado, passávamos sem nenhum problema. Porém, quando vínhamos de caminhão, um Chevrolet do saudoso Chico Miséria, como era conhecido, o medo era maior.

Como a água transbordava passando por cima da ponte, todo mundo pedia para descer e passar a pé para correr um risco menor de sermos levados pelas águas. Isso só para você ter uma ideia de quanta água existia naquela época no período chuvoso. Na época de estiagem, o rio ficava também quase cheio.

No entanto, a situação foi piorando com o desmatamento. Todo mundo derrubando as matas, os cerrados para formação de pastagens e, mais tarde, com a descoberta dos sulistas pelas nossas terras de ouro para o cultivo de lavouras, o desmatamento aumentou muito e as águas foram diminuindo e secando, ano após ano.

Hoje, a situação é essa, principalmente agora. O Rio Claro está quase seco com, as pedras descobertas pelas águas, aumentando nossa preocupação com o futuro. Se continuar assim, vai secar totalmente e comprometer o sustento das futuras gerações.

É preciso uma ação rápida do setor ambiental na busca de soluções para frear o desmatamento e replantar a mata ciliar, agindo severamente na recuperação das áreas de preservação permanentes às margens dos rios se não quisermos ficar sem água em um futuro bem próximo.

Onde estão os nossos ambientalistas que falam muito e agem pouco? É preciso competência, criatividade e atitudes para reverter essa situação. Tenho acompanhado ao longo dos anos a entrada e saída de secretários, mas sem nenhum programa sério de reflorestamento às margens dos nossos rios, ninguém tem feito nada para mudar essa história.

Não é só a zona rural que está numa situação difícil, dê uma volta pela nossa cidade. Quantas árvores foram destruídas nos últimos anos e os nossos secretários não fizeram nada. Não são especialistas? Cadê os programas de replantio de árvores na zona urbana? O último prefeito que plantou árvores em Jataí foi o saudoso Mauro Bento, quando tinha como secretário Raul Gonçalves.

Por que os demais prefeitos e os secretários de meio ambiente ignoraram essa questão? Não criaram nenhum programa de replantio de árvores às margens dos rios, córregos e regos e muito menos na cidade? Vamos trabalhar, gente. Tenham postura e hombridade para fazer as leis ambientais serem cumpridas.

Eu tenho ideia de padronizar a arborização da cidade, mas os últimos prefeitos nem quiseram saber como seria essa padronização que transformaria a nossa cidade em modelo nacional e, até mundial.

Os únicos prefeitos que faziam poda na cidade foram o Nelson Antônio e Mauro Bento, os demais nunca tiveram um programa de poda de árvores e aconteceu o que todos presenciam: árvores altas no centro da cidade, comprometendo a fiação elétrica; árvores sendo cortadas desordenadamente com o aval da secretaria, sem reposição de outras, e árvores sendo plantadas sem nenhum planejamento -, e assim vai indo, até quando não se sabe.

Além de não plantar e podar, os secretários de meio ambientes, permitiram o corte indiscriminado por toda a cidade, deixando-a careca. Existem vários quarteirões seguidos sem nenhuma árvore, um absurdo. Com esse sol quente quem consegue andar pelas ruas? Está passando da hora de tomar atitudes autoridades. E o Ministério Público que também não tomam nenhuma providência? Até quando gente, vamos ter que suportar tanto descaso, tanta omissão e tanta cegueira?


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