Feirão Limpa Nome - 6 passos antes de renegociar


A falta de educação financeira tem levado muitos brasileiros ao endividamento e inadimplência. Entre 6 e 30 de novembro, muitas empresas estão abertas para negociar as dívidas online pelo Serasa, mas antes de ir para esta etapa é importante que o consumidor conheça seus números e faça uma faxina financeira. Afinal, apenas com uma mudança comportamental é possível sair dessa situação de forma definitiva.


O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, orienta os seguintes passos:

1- Colocar na ponta do lápis todas as dívidas que possuir; 2- Destacar as de produtos e serviços essenciais – como energia elétrica, água e moradia – e as de maior incidência de juros – como cheque especial e cartão de crédito. Esses pagamentos devem ser prioridade; 3- Fazer um diagnóstico financeiro, ou seja, saber exatamente quais são seus ganhos e gastos mensais; 4- Com os números em mãos, elimine despesas supérfluas ou desnecessárias; 5- Vá para a negociação apenas quando souber o quanto terá disponível mensalmente para pagar; 6- Se tiver reservas financeiras para quitar as dívidas, negocie para obter bons descontos. Se não conseguir, poupe mensalmente e também as rendas extras, como o 13º salário, para voltar a negociar em um futuro próximo.


"Esses passos são extremamente necessários, pois só se deve buscar a renegociação de dívidas quando tiver condições de pagar, ou seja, após conhecer as suas finanças e se planejar. Um passo precipitado pode até piorar a situação", orienta Domingos.


O Educador Financeiro complementa, explicando que o consumo consciente é a chave para a diminuição do endividamento e, consequentemente, da inadimplência. “As pessoas precisam parar e se fazer algumas perguntas, antes de sair abrindo a carteira. Isso faz parte de ser educado financeiramente”, orienta.


Veja perguntas que o consumidor deve se fazer antes de qualquer compra:

- Eu realmente preciso desse produto? - O que ele vai trazer de benefício para a minha vida? - Se eu não comprar isso hoje, o que acontecerá? - Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima? - Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?

Se mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, seria prudente fazer mais algumas perguntas como:

- De quanto eu disponho efetivamente para gastar? - Tenho o dinheiro para comprar à vista? - Precisarei comprar a prazo e pagar juros? - Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses? - Preciso do modelo mais sofisticado ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha necessidade?

Para orientar na mudança comportamental, Domingos desenvolveu quatro passos simples e eficazes, que possibilitam a saída do endividamento de forma definitiva. São eles:

- Diagnosticar: significa ter ciência total do orçamento e das dívidas, para saber quanto realmente deve e quais as possibilidades de quitar. A orientação é anotar, durante 30 dias, todas as despesas, separando-as em categorias, para saber o que poderá reduzir ou até cortar.

- Sonhar: além de ser possível, são eles que nos mantém otimistas e focados, para nos envolvermos cada vez menos em dívidas que não agregam nada em nossas vidas. Saiba exatamente quais são seus sonhos, quanto eles custam e quanto poderá poupar mensalmente para essa finalidade. Sair das dívidas pode e deve ser um sonho, mas não o único.


- Orçar: em vez de fazer Ganhos (-) Gastos = Lucro/Prejuízo, passe a fazer Ganhos (-) Sonhos (-) Gastos. Dessa maneira, os objetivos serão prioridade e o padrão de vida será reestabelecido, evitando se endividar inconscientemente e voltar à inadimplência no futuro.


- Poupar: quando aprendermos que “guardar antes e gastar depois” é o que realmente funciona para manter a saúde financeira, veremos que podemos chegar muito mais longe. Invista esse dinheiro poupado em aplicações que vão de acordo com o prazo do seu sonho: curto (até um ano), médio (de um a dez anos) ou longo (acima de dez anos). Pesquise e se informe.


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