Período de seca, o que fazer?

A rentabilidade apertada da atividade pecuária tradicional, tem pressionado ano a ano produtor na busca por atividades mais rentáveis que envolvem a intensificação da produção.

A maximização dos sistemas de produção implica em manejo racional das pastagens nas águas, suplementação ou confinamento durante a seca, reduzindo a possibilidade de os animais terem oscilação de peso.

Neste processo a seca é o período que exige, talvez, a maior atenção do produtor. De acordo com o especialista Luiz Henrique Dantas Carrijo, Diretor Técnico da Integral/Cargill Nutrição Animal, além da menor oferta de alimento a pasto, a qualidade desta forragem também é mais baixa, ocasionando perda de peso dos animais. Nesta época a forragem é caracterizada por elevado teor de fibra e deficiência proteica (normalmente abaixo de 7%).

Consequentemente, fazer a digestão da parte fibrosa do alimento fica mais difícil, prejudicando o consumo e a taxa de passagem dos animais. “Resumidamente, o gado consume o pasto em menor quantidade, e com qualidade inferior”, explica Carrijo.

Isto porque as bactérias celulolíticas, responsáveis pela digestão da fibra, necessitam para o seu crescimento de amônia (que pode ser fornecida pela uréia), mas também de esqueletos carbônicos (fornecido pelo carboidratos e proteína verdadeira). “Dessa forma, além da carência proteica, os animais também sofrem de deficiência energética”, acrescenta.

Para corrigir a falta de proteína e energia, é recomendado misturas (suplementos) que são produzidos através de fontes proteicas (ureia e proteína verdadeira) e/ou energéticas. O objetivo da suplementação varia de acordo com o sistema de produção, normalmente definido em função das idades ao abate e a primeira cria esperada.

O farelo proteico tem a função de suprir a deficiência de nitrogênio das bactérias ruminais, permitindo aumento de consumo da forragem de baixa qualidade e, consequentemente, maior ingestão de proteína e energia. Estes suplementos devem ser constituídos de fontes de proteína de alta degradabilidade, objetivando atender os microorganismos ruminais.


Os microorganismos do rúmen requerem, no entanto, um suprimento balanceado entre energia e proteína. O nível de proteína degradável no rúmen deve ser aproximadamente 13% do NDT, pois o excesso consumido sem quantidade adequada de energia, resulta em perda de nitrogênio na excreta e com gasto de energia.

No primeiro momento as exigências energéticas poderiam ser atingidas através do fornecimento de alimentos proteicos, especialmente se o objetivo são ganhos moderados ou manutenção do escore corporal. Mas, após atender os requerimentos de proteína, a suplementação energética adicional pode ser mais eficiente que proteica, estratégia bastante usada para obter animais de terminados com idade inferior a 20 meses.

Carrijo explica que a Integral possui um vasto portfólio de produtos e serviços para ajudar o pecuarista a obter ganhos no período da seca, adaptáveis a cada estratégia do negócio.

Mas, para tornar viável a produção de gado de corte, também é preciso manejar racionalmente as pastagens durante a estação de crescimento (águas). No final da estação, aproximadamente na segunda quinzena de fevereiro, é recomendado iniciar a programação de veda do pasto, conservando alguns piquetes sem animais pastejando, para que quando o período das secas chegar, essas áreas apresentem maior concentração de forragem e de melhor qualidade.

Outra preocupação que favorece o bom desempenho da estratégia nutricional na seca é a estrutura dos cochos. A orientação é garantir espaçamento de 10 a 20 cm por animal, para que todos os bovinos consigam consumir o suplemento de forma homogênea, caso contrário, alguns animais apresentaram ganhos de peso, ao passo que outros poderão perder.


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